A Voz do Pastor › 26/12/2015

TEMPO – DOM DE DEUS

Quando o fim do ano começa a se aproximar, com o término do ano letivo, a aproximação das férias para muitos e com as tradicionais festas de Natal e Ano Novo, vêm em nosso coração o sentimento que o tempo está passando rápido. Tempo que muitos não valorizam, pois julgam ter muito tempo de vida, ao passo que os sábios, desde época pré-cristã, muito apreciaram.

A expectativa do Natal nos coloca numa dimensão maior do Kairós – Tempo da Graça de Deus. Tempo que deve ser usufruido para nossa conversão a Deus, especialmente por causa do Natal. E nos provoca um anseio de algo ou de uma nova ordem de coisas, pois, sentimos que ainda está faltando aquilo que não deixa nosso espírito ficar em paz. Nem conosco, nem com o mundo em que estamos.

Isto é legítimo, pois o apelo do advento é: Vem, Senhor Jesus! (Ap 21,17), como se ainda faltasse algo. Com efeito, falta algo,… falta a complementação da vinda do Senhor, que se dará definitiva no fim dos tempos. Até então, como diz São Paulo a criação inteira geme e sofre as dores do parto porque foi submetida à loucura do homem, com a esperança de, um dia, ser libertada da escravidão do pecado e gozar da redenção que tocará ao homem (Rm 8, 19-22). Cabe a nós, aguardar com perseverança e paciência a vinda do Senhor. Aproveitando o tempo, que, bem vivido pode se tornar nosso aliado no processo de conversão. Ele pode ser a oportunidade que Deus nos dá para chegarmos cada vez mais próximos Dele.

Lembramos aqui, a famosa exortação do poeta latino Horácio (8 d.C): Carpe diem, quam minimum creduilo postero. (Aproveita o dia presente e não queiras confiar no amanhã). Já bem antes disso, havia dito Sófocles (405 a.C): Quem conta com dois ou mais dias, é tolo.

O Tempo é o dom básico, condição indispensável para que haja outros bens na vida de alguém. Quantos são os que no fim da vida desejariam ter um pouco mais de tempo para recuperar os dias perdidos?! Ou mesmo desejariam recomeçar a vida vivida em leviandade e superficialidade!

Essas considerações filosóficas são corroboradas pela fé cristã, que muito estima o HOJE de Deus, o KAIRÓS, resgatado por Cristo: Hoje, se ouvires a sua voz, não faças como os vossos pais…(Sl 95,8) é TEMPO de Deus! Com este final de ano, saibamos aproveitar dos erros dos antepassados e do nosso passado, para fazermos um profundo exame de consciência e redirecionarmos mais nossa vida para Cristo. E, não percamos tempo, pois ele é curto e passa depressa. É uma ocasião para pensarmos no inestimável valor do tempo, evitando a mera rotina de vida inconsciente do seu por quê e para quê.

Há uma inscrição gravada num relógio solar da Alemanha que diz: Ó tempo, ó tempo, Ninguém te reconhece Senão aquele que te perdeu. E para aqueles que acham os tempos maus e inclementes, Santo Agostinho diz: Os tempos somos nós. Nós é que os fazemos; não são eles que nos fazem. Sede bons e os tempos serão bons. O homem é maior do que os tempos; não está subordinado ao pretenso imperativo dos tempos. Sabiamente se diz: SEMEIA AMOR E COLHERÁS AMOR.

Carpe diem – Aproveita o dia presente – para amar como o Senhor amou!

Que Deus abençoe a todos e um Abençoado 2016!

Pe. Marcelo Antonio

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