A Voz do Pastor › 21/10/2015

A SEXUALIDADE HUMANA NA CONCEPÇÃO CRISTÃ

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São claras as muitas dificuldades que os pais encontram em oferecer aos filhos uma adequada preparação para a vida adulta, em particular no que se refere à educação para o verdadeiro significado e vivência da sexualidade.

De fato, estamos vivendo num mundo de muitas provocações provenientes de uma mentalidade e de um ambiente materialista e hedonista. E onde um relativismo, confortável e conveniente diz que tudo é permitido, contanto que, aquilo que você faz te faça feliz. A sexualidade neste contexto, se reduz à experiência genital apenas.

Há uma mentalidade egocêntrica, em que o que importa é o seu prazer, a sua felicidade. O amor foi reduzido somente a esses sentimentos. É comum ouvirmos as pessoas dizerem: “Eu te amo, porque você me faz feliz… porque você me realiza… e até mesmo, porque você me leva a Deus”. São palavras que, de fato, soam muito amáveis, e quem de nós não gostaria de ouvi-las.

Mas na verdade, isso é uma corrupção do verdadeiro Amor, que diria: “Eu te amo e pelo simples fato de te amar, eu sou feliz… Eu te amo mesmo que você não corresponda a esse amor… Eu te amo sem exigir nada em troca.

Esse Amor é altero, tem como centro o outro, não é egoísta. Ele faz com que nos comprometamos com o destino do outro. Ele não é provisório, não dura apenas o tempo das sensações.

A nossa civilização deveria dar-se conta de ser, em diversos pontos de vista, uma civilização doente, que está gerando profundas alterações no ser humano. A razão disso está no fato de que a nossa sociedade se distancia da plena verdade sobre o Ser Humano, da verdade sobre o que o Homem e a Mulher são como Pessoas. Por conseguinte, não sabe compreender de maneira adequada o que sejam verdadeiramente o dom das pessoas no matrimônio, o amor responsável e ao serviço da paternidade e da maternidade, a autêntica grandeza da geração e da educação.

Vemos uma grande preocupação da Igreja Católica, em passar a mensagem de Cristo no que diz respeito a esta dimensão humana. No início do pontificado, João Paulo II, durante as audiências de quarta-feira meditou por mais de quatro anos sobre o AMOR HUMANO em seus vários aspectos: a relação do homem e da mulher, o significado esponsal do corpo humano, a natureza e missão da família, o matrimônio, o celibato, a luta espiritual do coração do homem, a linguagem profética do corpo humano, o amor conjugal, entre outros. A partir destas reflexões, nascia a TEOLOGIA DO CORPO (conhecida como TOB por sua sigla em inglês Theology of the Body) e também alguns documentos em que a Igreja manifesta sua preocupação em oferecer uma positiva e prudente educação sexual às crianças e aos jovens.

Na Exortação Apostólica sobre a missão da família cristã no mundo de hoje, João Paulo II, atribui um lugar importante à educação sexual, como um valor da pessoa. “A educação para o amor como dom de si, diz o Santo Padre, constitui também a premissa indispensável para os pais que são chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. Perante uma cultura que “banaliza” em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de maneira redutiva e empobrecida, relacionando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico, o serviço educativo dos pais deve visar firmemente uma cultura sexual que seja verdadeiramente e plenamente pessoal: A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa – corpo, sensibilidade e alma – e manifesta o seu íntimo significado ao levar a pessoa para o dom de si no amor”.

A sexualidade é um componente fundamental da personalidade, é um modo de ser, de se manifestar, de se comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano. Ela caracteriza o homem e a mulher não somente no plano físico, como também no psicológico e espiritual marcando toda a sua expressão. Esta diversidade que tem como fim a complementaridade dos dois sexos permite responder plenamente ao desígnio de Deus conforme a vocação à qual cada um é chamado.

A genitalidade orientada para a procriação é a expressão máxima, no plano físico, da comunhão de amor dos cônjuges. Fora deste contexto de dom recíproco – realidade que o cristão vive sustentado e enriquecido de maneira particular pela graça de Deus – ela perde o seu sentido, dá lugar ao egoísmo e é uma desordem moral.

A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor que é o único a torná-la verdadeiramente humana. Preparada pelo desenvolvimento biológico e psíquico cresce harmonicamente e realiza-se em sentido pleno somente com a conquista da maturidade afetiva, que se manifesta no amor desinteressado e no total dom de si.

O Catecismo da Igreja Católica, retomando o Concílio Vaticano II, recorda: “Os jovens devem ser conveniente e oportunamente instruídos, sobretudo no seio da própria família, acerca da dignidade, missão e exercício do amor conjugal”.

CONCEPÇÃO CRISTÃ DA SEXUALIDADE

Na visão cristã do homem, reconhece-se ao corpo uma particular função, porque contribui a revelar o sentido da vida e da vocação humana. A corporeidade é, de fato, o modo específico de existir e de operar próprio do espírito humano. Este significado é, antes de mais, de natureza antropológica: o corpo revela o homem, “exprime a pessoa” e é por isso a primeira mensagem de Deus ao próprio homem, quase uma espécie de “primordial sacramento, entendido como sinal que transmite eficazmente no mundo visível o mistério invisível escondido em Deus desde a eternidade”.

Há um segundo significado de natureza teologal: o corpo contribui a revelar Deus e o seu amor criador, enquanto manifesta a criaturalidade do homem, a sua dependência de um dom fundamental, que é o dom de amor. “Isto é o corpo: testemunha da criação como de um dom fundamental, portanto testemunha do amor como fonte donde nasceu este mesmo doar”.

O corpo enquanto sexuado exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si. O corpo, enfim, reclama o homem e a mulher à sua constitutiva vocação à fecundidade, como um dos significados fundamentais do seu ser sexuado.

A distinção sexual, que aparece como uma determinação do ser humano é diversidade, mas na igualdade da natureza e da dignidade.

A pessoa humana, pela sua natureza íntima, exige uma relação de alteridade que implica uma reciprocidade de amor. Os sexos são complementares: semelhantes e dissemelhantes ao mesmo tempo; não idênticos, mas sim iguais quanto à dignidade da pessoa; semelhantes, para se compreenderem, diferentes para se completarem.

O homem e a mulher constituem dois modos segundo os quais a criatura humana realiza uma determinada participação do Ser divino: foram criados à “imagem e semelhança de Deus” e realizam completamente tal vocação não só como pessoas singulares, mas também como casal, qual comunidade de amor. Orientados para a união e a fecundidade, o homem e a mulher casados participam do amor criador de Deus, vivendo a comunhão com Ele através do outro.

Em síntese a sexualidade é chamada a exprimir valores diversos a que correspondem exigências morais específicas: orientada para o diálogo interpessoal contribui para a maturidade integral do ser humano abrindo-o ao dom de si no amor; ligada, além do mais, na ordem da criação, à fecundidade e à transmissão da vida, é chamada a ser fiel também a esta sua interna finalidade. Amor e fecundidade são, todavia significados e valores da sexualidade que se incluem e reclamam mutuamente e não podem, portanto, ser considerados nem alternativos nem opostos.

Pe. Marcelo Antonio da Silva

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